LABRE: Costas-largas, mas quem perde?

17 de dezembro de 2008

logolabreNão importa o que aconteça, sempre o umbral desmorona nas largas costas da LABRE. Outro dia, em uma das muitas desavenças ocorridas dentro da LABRE, ouvi alguém dizer, em alto e bom tom: “nunca mais piso aqui na LABRE”. É sobre isso que quero falar – quem sai perdendo quando isso acontece?

Esta é uma típica atitude covarde, Claro! Se, por um lado, essa pessoa dissesse “nunca mais falo no rádio” ou “isso é entre você e eu”, o desatinado correria o risco de se meter numa briga ainda mais feia; ou ainda, ele seria o mais prejudicado, pois estaria se indispondo com outro associado capaz de revidar. Mas quando ele descarrega na LABRE, ninguém vai se meter. “Atenção: a coisa é entre ele e a LABRE”, argumenta alguém da turma do deixa disso. A final a LABRE é feita de pedra, tijolos, areia e cimento; nunca vai retaliá-lo. E se alguém pula e diz: “Ei, deixe a LABRE fora disso”, todos logo se agitam dizendo para não se meter nessa confusão, “abriga não é sua”.

A pobre da LABRE perde, pelo menos, dois sócios: os brigões. Mas o que dizer dos sócios não brigões? Ah, eles perdem contribuições no fim do mês. E, em via de regra, são os mesmos sócios educados e contidos que têm que bancar as contas que, apesar da redução de sócios, causada pelos tumultos, continuam os mesmo (água, luz, telefone, empregados, etc).

O resultado disso é idéias mirabolantes para reduzir os gastos que “aumentaram” por falta de sócios. Estas idéias são tanto mais absurdas quanto menor for a capacidade da diretoria de ver o radioamadorismo como uma diversificada sociedade democrática, onde rodadeiros dividem o espectro com exímios Dxers de qualidade internacional.

Não costumo atribuir a apatia atual da LABRE aos áureos anos quando todos eram obrigados a entrarem para o quadro social da entidade. Vejo que o problema foi construído dia-a-dia, numa contínua postura de “fechar para preservar”. Em resumo, houve um erro no caminho da evolução natural da LABRE – um comportamento evolutivamente instável.

Esta idéia, eu tirei de um livro que estou lendo sobre evolução da vida na Terra, um outro hobby meu. A teoria chama-se Comportamento Evolutivo Estável (CEE). Segundo a CEE, em um determinado momento foi necessário misturar o material genético nos descendentes de uma espécie. Então, surgiu a reprodução sexuada, misturando os genes entre indivíduos. Este tipo de reprodução permitiu que boas qualidades de indivíduos diferentes fossem incluídas em um descendente. Depois apareceu um mecanismo chamado “crossing over” que se encarregou de misturar os genes dentro um mesmo individuo. Mas por que aconteceu isso? Por uma simples razão, os seres vivos queriam manter-se vivos.

O mesmo precisa acontecer no radioamadorismo. De tanto expurgarmos os operadores da faixa do cidadão, eles invadiram os 12 metros e hoje mancham nossa imagem a três por quatro.

Uma CEE seria envolver os operadores da faixa do cidadão em programas de capacitação para o radioamadorismo. Incentivando a qualidade técnica, ética operacional e instigando a curiosidade deles. Misturar qualidades de dois indivíduos diferente em novos descendentes – lembra-se? Perdemos por não termos nos misturados no passado. Agora, lamentamos quanto aos QSL’s seqüestrados, contestes desérticos e operadores de aluguel.

Hoje, a LABRE-PA conta com um suporte formado por jovens radioamadores, os quais gostaria de citar nominalmente: Daniel – PY8DAN, Rodrigo – PY8HBO, Maia – PY8ZE e Lima – PY8ALI. Todos com menos de dois anos de “atividades eletromagnéticas” (se me permitirem por assim dizer). Não somos o exemplo de LABRE, mas admito que fazemos das tripas coração para manter a chama do querido Padre Landel de Moura viva. Mas o mérito não é só deles, a diretoria e os sócios entenderam que sem CEE, ou seja, sem nos misturarmos entraríamos ameaçados de extinção técnica e moral. Ou seja, seriamos página virada da história.

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