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Saída de Colaborador Reacende o Debate sobre LABRE

Em nota aberta, Flavio PY2ZX, que por 6 meses participou do GDE/LABRE como assessor de imprensa, comunica que resolveu deixar o cargo por “falta de apoio institucional e financeiro” para desempenhar as funções de representação necessárias ao radioamadorismo, reacendendo o debate sobre a atual estrutura da LABRE e sua eficiência perante a comunidade radioamadorística brasileira:

Olá amigos,

Anuncio publicamente minha saída do GDE/LABRE por falta de apoio institucional e financeiro para empreender novas formas de atuação e representação do radioamadorismo.

Ao contrário do que muita gente acredita, a LABRE é uma associação muito bem considerada em fóruns governamentais e outras instituições congêneres, como pude perceber pessoalmente em Brasília.

No entanto a LABRE nacional é hoje uma instituição travada por conta de uma estrutura interna jurídica que não viabiliza sua autonomia financeira e administrativa.

Para se ter uma ideia, em apenas 6 meses, por meio de um pequeno grupo de trabalho ad-hoc, abrimos espaços em 4 fóruns governamentais federais e decisórios que nos auxiliariam tanto para ampliar faixas de frequências, para conquistar novas bandas e para pressionar por leis mais severas contra interferências, mas ficamos sem apoio institucional e financeiro.

Ao mesmo tempo que os radioamadores brasileiros ganham com justiça novos títulos em concursos, expandem fronteiras expedicionárias em localizações de dificílimo acesso, galgam posições de destaque no DXCC, evoluem na organização, promoção e apuração de concursos, montam modernas redes de repetidoras digitais; também formamos uma sociedade incompetente para se reorganizar em torno de uma instituição federal, técnica e política de representação eficiente e profissionalizada.

Quando um ruído eletromagnético atrapalha um comunicado, ele não é apenas consequência de um desenvolvimento tecnológico desenfreado, da tecnocracia ou empresas relapsas, é também derivado de nossa incapacidade de enxergar um palmo além dos nossos clubes, associações, regionalismos e especialidades para compor a representação nacional.

O radioamadorismo brasileiro é hoje um amontoado de segmentos legitimamente bem sucedidos mas que não compõe um coletivo. Fiz a minha parte, tentei da melhor maneira possível mudar esta constatação, mas para mudanças de natureza social o voluntariado meramente individual não é mais suficiente.

73!

Flávio PY2ZX

A LABRE que todos os radioamadores sonham em ter é bem diferente da instituição que existe hoje. A reorganização da LABRE passa pela quebra de paradigma necessária para romper com a idéia de que ser radioamador é diferente de ser LABREANO.

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Luc, PY8AZT

Eu sou o Luc, PY8AZT. Ingressei no radioamadorismo em 1992. Sempre me dediquei ao DXismo e competições de rádio. Nasci em Castanhal, Pará, porém vivo em Fortaleza, Ceará desde 2006, onde opero como PT7AG. Durante os campeonatos de radioamadorismo participo do time de operadores da estação de contest PW7T do Fortaleza DX Group. Há 6 anos, dedico parte do meu tempo ao Portal DXBrasil, contribuindo com informações, notícias e artigos de interesse da comunidade radioamadorística de língua portuguesa. Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo...

5 Comments

  1. Gostei do quinto parágrafo, quando ele fala da evolução paralela em outros seguimentos em detrimento de uma unidade nacional organizada.
    Muitos falam do radioamadorismo nacional, mas na hora de pensar em conjunto, preferem dar vazão aos interesses pessoais e confudem interesses pessoais com interesses conjuntos. É uma piada. Flávio, parabéns pelo trabalho realizado na Labre e pela sua honestidade em expor ao público o que se passa em nosso meio.

  2. Sócio ativo da LABRE, cito um exemplo recente que ocorreu comigo. Graças às confirmações de QSL via e-mail, tomei conhecimento, por meio de um colega radioamador de outro país, que uma LABRE estadual estava retornando (sem motivos) seus cartões QSLs enviados para o BRASIL, para minha estação(resposta ao meu QSL). Quando indaguei a LABRE BRASILIA e a REGIONAL, constatei que faltam cuidados e seriedade na LABRE BRASILEIRA, o que compromete a credulidade da Instituição. A rotina tomou conta e é um malifício que acomoda. Esperamos mudanças URGENTES, diante das afirmações do colega FLÁVIO. Uma representatividade nacional de tamanha envergadura não pode se dar ao luxo de cometer error gravíssimos e desrrespeito com o associado, que cada vez mais acaba abandonando esta cara organização. Reciclar é um conceito básico que dinamiza e oportuniza novos colaboradores comprometidos, principalmente em qualidade. Concordo então que a incompetência se instalou por conta da rotina e arriscaria ainda mais, desculpe a falta de eufemismo mas vaidades devem ser enterradas nas masmorras.

  3. Depois que a labre,por força constitucional(antes era na justiça e uma enxurrada de decisões,inclusive com jurisprudência pelo Brasil) se “viu” desobrigada de “receber” sócios automaticamente quando o cidadão se tornava Radioamador,a coisa(leia-se “arrecadação”) desmoronou de uma maneira assustadora…Existem muitos colegas,até mesmo que não são radioamadores,que dão vida e sangue em prol de nosso serviço,mas quando estão “lá(bre)dentro” descobrem que nada pode ser feito…o problema é o da concepção da entidade…já nasceu assim…um dia eu li um artigo e um labreano perguntava:”… o que o radioamador pode fazer pela tal de labre…”PASMEM!!!! Uma entidade que seria para servir quer $er $ervida…sem chance…parabéns aos que querem um radioamadorismo de verdade!!!

  4. Labre x Realidade
    É necessário fazer uma reforma urgente nos conceitos do que é a Labre atual, é necessário que nossa entidade tenha “lucro”, precisa ganhar dinheiro, ser administrada como uma empresa, buscar parceiras como fazem as outras ligas mundiais e não viver de poucos associados (confesso que sou inadimplente), meu único interesse na Labre é o Bureau de QSL devido minha atividade de DX e acredito que esta situação também seja para muitos, mas o LOTW vem sendo a preferência e a única fonte de renda da Labre pode acabar muito em breve, a facilidade do sistema LOTW é imbatível e acredito que se algo não for feito a Labre fechará suas portas e perderemos nossa representação que hoje em dia é virtual e histórica. Quando existia a obrigatoriedade de filiação não existiam dificuldades era muito fácil administrar, não existiam preocupações, hoje a Labre é um enorme elefante branco que se perdeu no tempo por falta de administração e atualização e por comportamentos pessoais e conceituais dentro do radioamadorismo brasileiro de mentalidade ortodoxa, atrasada e completamente fora da realidade atual. Hoje em dia não precisamos mais da Labre e quando precisamos pouco ou nada nossa entidade pode fazer, a Labre encontra-se numa encruzilhada, acredito que deixar a Labre acabar seja o mais difícil para todos nós, não podemos perdê-la simplesmente, é muito importante que exista e nos represente (IARU, ITU), mas os conceitos administrativos precisam mudar e com urgência ou o Radioamador Brasileiro ficará órfão e a mercê das decisões de agências nacionais reguladoras de comunicação que atendem e se submetem ao poder de grandes corporações nacionais e internacionais.

    Radioamador, “acorde”, saia de sua zona de conforto, pare de reclamar, o mínimo que você pode fazer é se tornar sócio e depois exigir mudanças, você é responsável pela Labre se encontrar nesta situação.

    Administração da Labre, acordem, o barco esta afundando.

    Airton – PY2SAA

  5. Infelizmente existem os que torcem pelo desmanche, causa, o individualismo que impera sempre querendo que as massagens seja em seus égos, fugindo o principio do radioamadorismo que é fazer experiências ser associativo e solidário. Estou de acordo com os comentários acima que tem que procurar parcerias e divulgar a tantos radioamadores neófitos que não sabem o que é a “LABRE”e suas funções.

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