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PU8TEP, Edinho é colunista do Portal DXBrasil. Ele escreve sobre vários assuntos, particularmente mostrando as aventuras e experiências de um Radioamador Classe C no mundo do DXismo e Contest.

PU8TEP: O DXista e o QSL

Ainda lembro quando recebi meu primeiro cartão de QSL. Já praticava DX há algum tempo – sem nem mesmo saber o que era isso, mas depois que recebi o primeiro QSL de Alexandre, PU2TAC na “Magic Band” – 50MHz, logo tratei de saber como o responderia; qual era a prática dos QSLs e como fazer para ser encontrado pelos outros DXers. Assim, ingressei em uma das muitas tradições que tornam o Radioamadorismo fascinante.

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Descobri o QRZ.com, fiz meu cadastro e depois disto recebi uma “chuva” de QSLs. Era caixa de correio cheia o tempo todo. Alguns com o “selos verdes” americanos, outros com envelope auto endereçado e Cupons Response Internacional. Nossa, aquilo era uma alegria.

Logo começaram a chegar cartões de forma direta, mas sem o porte de retorno. Achei normal , respondi a todos de forma direta também, isso também faz parte.

Junto aos serviços de Correios brasileiro descobri que poderia enviar “Carta Social” pagando apenas R$ 0,01 (um centavo) e a partir daí adotei esta prática para QSLs brasileiros, assim o custo não seria significativo.

E os cartões para o exterior? Estes sim, deram uma certa dor de cabeça. Tinha que pagar R$ 1,05 para os EUA e R$ 1,15 para a Europa. Até que não parece problema para quem recebe 10 ou 15 cartões por mês, mais para quem recebe de 200 a 300 – ou mais – chega a ferir o orçamento da família.

No meu QRZ.com expus as formas de como obter meu QSL. Fui criticado por colegas daqui de Roraima, disseram que eu estava cobrando por QSL. Pra quem recebe poucos QSLs isso parece ser prática “mercenária”.

A quem está começando no DXismo, recomendo criar seu perfil no QRZ.com, e informar como conseguir seu QSL. É bom manter seu QRZ sempre atualizado. Além do QRZ, inscreva-se no LoTW (Logbook of The Word) para facilitar a confirmação de QSOs.

Depois que ingressei no LoTW (Logbook of The Word), consegui respirar aliviado, pois a quantidade de QSLs sem porte de retorno diminuiu bastante.

Faça DX e divirta-se com cada “figurinha” trabalhada, depois reviva a emoção do contato quando receber o QSL referente àquele QSO. Isso é muito prazeroso.

O CW e o Radioamador Classe “C”

Não faz muito tempo que ingressei no mundo rádio e desde então o grande “bicho-papão” era o tão temido Código Morse. Logo no início meu grande amigo Clovis (PV8ADI) disse que: Só sabe se alguém vai ser um bom radioamador se este aprender e praticar CW. Isso para um radioamador Classe “C” parece uma barreira, mais pra mim foi como um desafio.

Hoje ainda sou Classe “C” e amante do CW. Este assunto deixa margem a diversos pontos de vista, por causa, principalmente, da natureza da transmissão que, de certa forma, apresenta algumas – poucas – dificuldades. A essência do rádio para muitos está no QSO PHONE, as tão amadas “rodadas” – isso sim é um grande obstáculo a ser enfrentado.Meus Tesouros

A prática do CW nos proporciona QSOs em maiores distâncias, muitas vezes, sobrepujando interferências, com equipamentos de pouca potência, consequentemente, de menor custo e superando a diversidade de idiomas.

Às vezes nós, os Classe “C”, acreditamos que podemos nada mais que o VHF/Local (tipo os 2M via repetidora) e os 10M se misturando ao grande número de clandestinos que invadem nossas bandas. O CW está aí para abrir inúmeras fronteiras entre as bandas, claro que, não é da noite para o dia que se tornará um “expert” em CW, mais, a vontade de concluir o QSO com o outro radioamador do outro lado do mundo é recíproca, ele também quer fechar com você, por isso, usamos velocidades baixas – QRS – para que os demais, respeitando nossos limites, nos ajudem.

Em frente ao meu manipulador sinto uma série de modificações comportamentais que superam outras terapias. Conseguimos nos desligar totalmente do ambiente dominante, simplesmente, é o poder de concentração. O poder de comunicar em uma língua única com os quatro cantos do mundo é o que nos dá satisfação de pertencer a esta grande família, abnegada de preconceitos de fronteiras, credo, raça, política, religião, poder aquisitivo, e isso, proporcionando aprimoramento, sob o ponto de vista cultural, fraternal e psicológico.

Portanto, sei que é difícil ficar longe das “rodadas” de bate-papo, mais, se dermos um pouco mais de atenção no começo da vida radioamadorística aos mais diversos modos, principalmente o CW, ganharemos muito mais para uma vida inteira de DX.

Em um ano de DX um Classe “C” roraimense, conseguiu o tão ambicionado DXCC Mixed, com 105 entidades trabalhadas e confirmadas, sendo que 56 foram em CW. O CW diminuiu um pouco tempo para a conquista do DXCC. Isso é apenas um ponto positivo do CW na vida do “PU”.

Existem pontos de vista contraditórios quando se fala de CW. Deixando tudo isso de lado, principalmente, a natureza da transmissão que alguns a intitulam de difícil, temos que gostar do que fazemos e nada mais importa. O DX em CW com certeza nos proporciona muito mais que qualquer outro modo de operação.

Em 2010 consegui realizar 5.862 QSOs em CW, média de 488 contatos por mês, usando um velho ICOM IC765 que não dá mais de 75W de saída, usando na maior parte do tempo as bandas de 15 e 40m – onde nós os Classe “C” não podemos falar, de que outra forma com estes recursos poderia alcançar está média? Digital, será?!?

Hoje o classe C está para o CW como o CW está para o classe C, não temam este fascinante modo, aprenda a gostar, adote-o como seu modo predileto e verás que o DX com ele te dará muito mais prazer.

“Eu nunca vi uma pessoa que soubesse CW de verdade que não gostasse dele; pelo contrário, quanto mais cobra era, mais ela gostava do CW”. Pierpont, William G. N0HFF (Bill) em A Arte e a Habilidade da Radiotelegrafia.

Leitura sugerida: A Arte e a Habilidade da Radiotelegrafia. Pierpont, William G. N0HFF. 3ª Edição Revisada, Outubro de 2001. Traduzida por Biscaia, Rui Carlos M. – PY4BS. Janeiro de 2002.