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Contest: Lamentar vs. Vencer

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Quando eu estava dando meus primeiros passos em competições radioamadorísticas, li um texto em especial que foi responsável por eu não desistir de participar de contests quando tudo ainda não estava claro na minha mente.

Naquela época, muitos operadores, alguns que nem participavam de contest regularmente (mas que eu não sabia disso), estavam lamentando que o sistema de pontuação do WPX era injusto, além disso sugeriam que algumas estações eram favorecidas pelas regras. Muitos apoiaram seus argumentos dizendo que esta era verdadeira causa deles não conseguirem vencer. Diziam que se não conseguiam vencer, participar do WPX não era divertido, não sendo divertido, não havia motivo para participar.

Para um candidato a contesteiro-novato como eu era, ler tudo aquilo realmente tinha algum sentido. Os argumentos apresentados me fizeram refletir se haveria mesmo sentido em competir se não haveria chances de vencer. Mas então, Rob Hummel WS1A escreveu, numa quarta-feira de 1997, um artigo para a lista CQ Contest que permanece vívido em minha memórias todos estes anos. Este artigo me convenceu que participar era mais importante que vencer, apesar de que vencer era e sempre será a melhor motivação dos verdadeiros competidores.

[CQ-Contest] WPX Lamentar-se vs. Vencer
From: Rob Hummel rhummel@monad.net
Wed, 16 Apr 1997 13:10:04 -0400 (EDT)

Eu tenho acompanhado com interesse e espanto algumas opiniões e declarações que estão sendo colocadas sobre o WPX, e contests em geral, como eles calculam a pontuação, e sobre como eles são injustos.

Eu estou muito preocupado que um competidor novato ou em prospecção leia isto e tenha a impressão que os vencedores só conseguiram vencer porque eles foram favorecidos de alguma forma. Que os vencedores são, em essência, trapaceiros. Porque se os vencedores não trapacearem, eles não poderiam ter derrotados os otários honestos. E que o novato ache que, de fato, qualquer atividade onde alguém perde é – por definição – injusta.

Contest é, pura e simplesmente, uma competição, na qual não há vice-campeões. O termo para quem não é o vencedor é “perdedor”. Não há vergonha nenhuma em perder. Eu fui um perdedor muitas vezes. Vencer me faz bem, mas perder me ensina. Pergunte para minha filha de 6 anos o que significa ser um perdedor e ela responderá sem exitar: significa que você tem que se esforçar mais. Ninguém nunca ganhou um contest apenas lamentando.

Se você quer ser competitivo, você precisa fazer tudo ao seu alcance (e dentro das regras) para maximizar suas vantagens e minimizar suas desvantagens. Reclamar que um contest é injusto não acrescenta nada a não ser à reputação de você é uma pessoa amarga, insatisfeita, desestimulada, invejosa e negativa.

Não escute conselhos e lamentos de pessoas que nem se quer participam de contest. O que eles poderiam lhe ensinar a não ser como se tornar um perdedor amargurado?

Se você quer vencer, aproxime-se de vencedores. Se você quer ser competitivo, você deve ser positivista. Aqui vão algumas sugestões:

1. Adquira o máximo de conhecimento sobre o contest que puder.

Leia as regras do contest. Isso quer dizer: conheça a troca de mensagem e o sistema de pontuação. Entenda qual estratégia você deve usar para maximizar sua pontuação. Descubra quanto tempo você deve dedicar para trabalhar multiplicadores e quantos QSOs você precisa fazer para ser competitivo. Tenha em mente se um multiplicador ou se um QSO de 3 pontos seria mais valioso para você no fim do contest. Calcule quantos multiplicadores você precisa para ser competitivo.

2. Decida para onde e quando apontar sua antena.

Você precisa entender como a propagação se comporta na sua região. Leia os mapas de propagação e certifique-se que você entendeu o que eles querem lhe dizer. Saiba como e quando o grayline lhe favorece. Saiba quando 40m abre e 20m fecha. Mantenha um rádio e uma antena dedicados para a banda de 10m ou visite a banda frequentemente para não perder nenhuma abertura.

3. Estude seus competidores locais/regionais

Estude os scores, multiplicadores e prefixos trabalhados pelas estações da sua região. Entre em contato com eles e pergunte sobre suas estratégias (claro que eles não vão entregar todos os segredos de uma vez, mas certamente lhe darão algumas dicas valiosas que levaria anos para aprender sozinho!). Baixe os logs dos seus potenciais competidores e estude-os. Descubra para onde eles apontaram as antenas e quando; qual bandas eles preferem e porque. Qualquer um que tenha derrotado você tem algo a lhe ensinar. No lugar de xingá-lo, estude-os. E não se esqueça da outra ponta da equação, algumas das lições mais valiosas que eu aprendi vieram de quando eu operava low power e com antenas de fio.

4. Conheça o campo de batalha

Estude o resultados dos últimos 2-4 anos do contest. Você saberá quais os indicativos que estiveram ativos. Você vai saber quais as estações DX que estarão ativas e prepare-se para reconhece-las de imediato durante o contest. No lugar de ficar pensando porque o contest é injusto, aprenda como ele funciona.

5. Melhore sua estação

Aprenda corretamente tudo sobre linhas de transmissão, perda na antena, ROE, diretividade, depois estude tudo novamente. Isso significa que você deve experimentar, ou seja, tentar, testar, mudar, testar novamente até obter os melhores resultados.

Esqueça os mitos inventados pelos operadores medíocres. Não escute quem lhe diz que ROE 2:1 não dá problema porque toda a potência vai para algum lugar de qualquer modo. Que aquele cabo fino RG58 não faz diferença em HF, somente em VHF. Ou que 1dB não faz diferença no S-metro do outro lado. Ou que a perda causada por um conector é irrisória. Todos estes conselhos são falsos. Descubra por si mesmo porque!

6. Trabalhe suas antenas.

Nada é perfeito ou permanece perfeito por muito tempo. Coloque novas antenas. Use fios. Teste as loops. Experimente beverages. Tente usar antenas de recepção. Coloque slopers. Tente, tente, experimente, tente e tente novamente. A maioria dos experimentos com antenas são relativamente de baixo-custo.

7. Estude seu rádio

Todos aqueles botões no seu rádio tem uma função (as vezes, várias). Descubra o que eles fazem. Leia e estude o manual do seu rádio. Será que você sabe onde está o manual do seu rádio?

Entenda o sistema de filtros e como cada um afeta sua recepção. Use o voicekeyer. Aprenda a ajustar seu DSP. Use um microfone adequado para contest. Mexa no seu áudio até que fique claro como cristal e com timbre de uma serra cortando o alumínio. Guarde essa configuração para o dia do contest, não use-a nas rodadas em 40m/80m, pois os participantes dirão que seu áudio está uma porcaria, o que não é verdade!

8. TRABALHE o contest

Se você vai trabalhar o contest, então TRABALHE! Um contest de 48 horas tem 48 horas. Se você quer ser competitivo, você tem que dedicar 48 horas para ele. Se você não pode, então você não pode. Mas, então, não lamente-se por não ganhar.
A única grande arma que um small pistol tem é persistência. Se você perguntar para uma estação big gun quando eles aconselham mudar de banda, eles vão dizer: quando seu rate cair abaixo de 100Q/hora. Pode ser uma verdade para uma big gun, mas veja estas estatísticas:

60Q/h (1 QSO por minuto): você trabalharia 2.880 contatos em 48 horas de contest.

30Q/h (1 QSO a cada 2 minutos): mesmo nesta taxa de QSOs você teria 1.440 contatos no fim do contest.

15Q/h (1 QSO a cada 4 minutos!): mesmo nesta taxa baixíssima, você faria 720 contatos, eu já ganhei vários contests com menos contatos que isso.

Quantos QSOs você fez no último contest? Se você desistir quando o tempo entre cada QSOs chegar a 4, 6, 10 ou mais minutos, você está desistindo de sua competitividade. A destreza de um contesteiro é medida nas longas horas quando ele chama CQ repetidamente em uma banda aparentemente morta ou quando ele consegue arrancar de dentro do ruído mais um QSO. (Dica: aqui é quando aquele 1 dB fará toda diferença do mundo entre fazer ou não mais um QSO)

9. Divirta-se

Vencer é divertido. Mas competir é também. É uma grande diversão participar de um evento maior que o ego de quem acha que não pode vencer porque sua estação tem uma “desvantagem injusta” e por isso nunca terá a chance de ganhar. Se você quiser se divertir em um contest, olhe para quem está se divertindo e faça o mesmo que ele esté fazendo. Não deixe se envenenar pelo argumento de que um contest no qual todos não são vencedores é injusto e por ser injusto não é divertido. Tudo é divertido se envolve o radioamadorismo.

Eu amo Contest em SSB, CW e RTTY, apesar de que minhas habilidades variam muito em cada modalidade;
Eu amo contests nacionais. Mesmo com os problemas de formato e vícios deles, não podemos desistir de ensinar as boas práticas;

Eu amo contests internacionais. Toda vez que eu escuto W3LPL, DR1A, 9A1A, K3LR, CW5W é uma sensação incrível;

Cada vez que alguém se lembra do meu indicativo, é como se eu voltasse a ser criança e me dessem um doce!;

Eu procuro pelo meu indicativo em todos os resultados publicados. Qualquer contest que eu deixo de participar eu considero uma falha. Todo contest que eu faço é uma vitória.

Conclusão

Se você gosta de contest ou se você acha que pode gostar, entenda que existem centenas ou milhares de operadores iguais a você pelo mundo que esperam que você seja o melhor que você pode ser. Nós vamos ajudá-lo, encorajá-lo e parabenizá-lo por cada QSO que você fizer e cada log que você enviar. Cada estação DX está procurando por você. Cada QSL que você receber é um “muito obrigado” para você. Ignore os amargurados, miseráveis e os eternamente insatisfeitos. Eles não são seus competidores. Eles são apenas QRM.

Autor: Rob Hummel (WS1A)

PW7T no WPX CW 2012: Erros e Acertos

O boletim Contest Update, publicado semanalmente pela ARRL, citou a operação da PW7T (estação de contest do Fortaleza DX Group) no WPX CW 2012. Chamou a atenção do editor a atitude tomada pelo time de operadores para evitar que o score final seja reduzido por erros de mudança de banda:

The PW7T team had a good time in the recent CQ WPX CW contest with a goal of avoiding band-change errors that cost them a place in the standings last year. How did they do? You can read all about it in their writeup about the contest at the Forteleza DX Group’s website.

Fonte: ARRL Contest Update (06/06/2012)

A história da quebra do recorde mundial, incluindo seus erros e acertos, foi contada no artigo publicado no site www.pw7t.net (em inglês) e que reproduzimos aqui em português:


Traduzido de: http://www.pw7t.net/?p=822

Antes de mais nada, vamos apresentar nosso time. Na foto (da esquerda para direita): Soni, PY1NX; Fabiano, PT7AK; Jim, PY7XC; Renner, PY7RP; Luc, PY8AZT e Mr. Luke, PT7WA (nosso Guru). Não estão na foto, mas fizeram parte do time: Raimundo, PT7CG e Tino, PT7AA.

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PLANEJAMENTO
Antes do contest, o SFI (índice de fluxo solar) sugeria que as bandas apresentariam a melhor propagação dos últimos 8 anos. Nós estabelecemos nossa meta em 32 milhões de pontos (6.800Qs e 1.300prefixos), ampliando em 45% o nosso último score. Nós nunca prevemos que as condições estariam tão boas e que haveria tanta atividade em todas as bandas.

APRENDENDO COM OS ERROS
No ano passado, nós perdemos valiosos pontos durante o processo de checagem do log. Nós fizemos um QSY extra, violando o limite de 8 mudanças de bandas em uma hora com pileup muito intenso. Isso causou uma inversão no resultado final entre nós e a estação J7A (caímos do segundo para o terceiro lugar no mundo).

Abaixo está o resultado da checagem do nosso log em 2011 mostrando a penalidade por violação na mudança de banda:

************************** Summary ***************************

    4915 Claimed QSO before checking (does not include duplicates)
    4388 Final   QSO after  checking reductions

   17579 Claimed QSO points
   14930 Final   QSO points

    1238 Claimed mults
    1179 Final   mults

21762802 Claimed score
17602470 Final   score
  -19.1% Score reduction

     235 (4.6%) duplicates (without penalty)
     133 (2.6%) calls copied incorrectly
     142 (2.8%) exchanges copied incorrectly
      18 (0.3%) not in log
     234 (4.5%) band change violations
      18 (0.3%) calls unique to this log only (not removed)

Nós investigamos a fonte desse erro e descobrimos que o N1MMLogger mostra uma contagem de mudança de banda errada se uma estação da rede deletar um QSO durante o contest. Portanto, nós fizemos uma mudança de banda extra como se fosse um QSY legal.

Para evitar o mesmo erro, a partir do CQ WPX SSB passamos a usar papel e caneta para controlar as mudanças de banda a cada hora (veja a foto). Este método simples funcionou como uma checagem dupla sobre a contagem de mudanças de banda e também manteve o operar alerta nas horas de sono.

Este é o Ultimate Band Change Controller produzido pelas Organizações Tabajara:

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0000Z – VAMOS! MAS…

Mr. Murphy não era visto pela estação há algum tempo, mas nós descobrimos que ele sempre está por perto. As coisas ficaram loucas, apesar de tudo ter sido testado antes do contest. Na primeira hora quase todos os computadores perderam o controle por CAT. Havia RF em toda parte do shack.

A única “novidade” na estação era dois acopladores de antena instalados para ajustar a ROE para CW nas antenas de 80m (3elem de fio) e a yagi superior para 7MHz. Nós removemos os acopladores, mas a RFI continuava lá. Verificamos todos os coaxiais no caminho da RF e encontramos um conector PL-259 quebrado. Nós substituímos este conector e a RFI se foi!

Alguns minutos mais tarde, Mr. Murphy encontrou outro brinquedo para brincar. Um computador começou a gerar S9+ de QRM em 20m. Este computador ATOM está em uso há 3 anos e nunca produziu QRM nos rádios antes. Nós trocamos ele por um laptop pessoal de um dos operadores e  QRM desapareceu. Então, tivemos que baixar o N1MMLogger (15MB) e todos os drivers na conexão muiito lenta. Levou mais de 1 hora para instalar tudo e colocar a estação de volta no ar.

DIA 1, SSN 86: AVANÇANDO MUITO RÁPIDO!

As 5 primeiras horas, a propagação estava como nunca vimos antes. Todas as bandas de HF 160-10m estavam muito abertas para áreas muito populosas (EU/NA). Foi difícil deixar as bandas altas para enfrentar o ruído nas bandas baixas pelo dobro dos pontos. Nós fizemos 1500Qs até pouco antes do amanhecer de sábado e 4500Qs nas primeiras 24h. Isso foi incrível e nós começamos a repensar nossa meta. Mas…

DIA 2, SSN 70: AVANÇANDO MUITO LENTO!

Da mesma forma que as manchas solares (SSN) caíram de 86 para 70, todos os pileups diminuíram e se foram com elas. Diferente das 24h anteriores, todos os sinais em 10m eram fracos, e era preciso fazer vários CQ para ter uma resposta. Nós fizemos bastante S&P, pois era a única maneira de colocar algumas estações no log. Da mesma forma estava a banda de 21MHz. Havia poucos sinais fortes e um monte de sinais “fantasmas” enterrados no ruído. No segundo dia, nós fizemos 100Qs/hora quase o dia todo. A melhor hora foi às 19z com 175Qs.

PROFUSÃO DE PREFIXOS

Além da melhor propagação dos últimos 8 anos, uma profusão de prefixos turbinou os scores no mundo todo. Nós conseguimos trabalhar 1487 prefixos. Isso foi insanamente maior que nossa expectativa (1.300) e nosso score cresceu mais rápido que nós planejamos. Após 40 horas de contest quebramos o recorde mundial 33,2 milhões, e no último minuto do contest terminamos com 7.101 QSOs e 36.999.534 pontos.

ESTATÍSTICAS

Você pode acessar todas as estatísticas do nosso log aqui.

Foto um pouco antes do final: 36.778.995 e contando…

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No próximo grande contest, vire sua antena para o Brasil. Haverá mais de 200 estações prontas para entrar em seu log!

Todo os membros do time gostariam de dizer OBRIGADO ao nosso anfitrião – Barreto, PT7CB –, e também aos contesteiros ao redor do planeta que nos contataram.

PW7T Team

Fortaleza DX Group


DXCluster: Uso Anônimo, será?

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É indiscutível que o advento do DXCluster permitiu um extraordinário avanço na prática do DXismo. Hoje, basta se conectar a algum DXCluster para saber onde estão as figurinhas. Mas pouco a pouco, a rede de DXClusters mostra sua fragilidade e uma lado negro que não combina com o radioamadorismo.

Muitas pessoas acreditam que podem usar o DXCluster anonimamente para fazer uma crítica, ofender ou mesmo fazer acusações e que permanecerão no mais perfeito anonimato. Não é bem assim.

No primeiro dia da Dxpedição-surpresa ao Yemen, 7O6T, eu, PT7AG/PY8AZT; Barreto, PT7CB e Fabiano, PT7AK/PY3VK nos encontramos na PW7T – estação de contest do Fortaleza DX Group – para tentarmos entrar no log, pois nem um de nós temos estação em casa e não queríamos perder a chance de trabalhar um dos DXCC mais raros do mundo, assim como qualquer outro DXista.

Ouvimos a 7O6T primeiro em 15m CW, em seguida eles também estavam em 20m SSB, mais tarde em 40m CW. Então, nos distribuímos nas três estações independentes que temos na PW7T e passamos a enfrentar o pileup. A estratégia era: quem conseguir o contato primeiro se revessaria com os demais.

O primeiro QSO foi em 21024 em CW. Eu trabalhei como PT7AG, depois o Fabiano também trabalhou como PT7AK, depois ele trabalhou novamente como PY3VK. Eu ainda tentei trabalhar como PY8AZT, mas só consegui mais tarde em 20m SSB. Enquanto eu tentava meu QSO, ouvimos alguém trabalhar a 7O6T com o indicativo PT7CB.

Todos sabem que o Barreto não faz CW, além do mais ele estava do nosso lado tentando seu primeiro contato em 20m SSB. Poucos minutos depois, quando estávamos avisando o Barreto do ocorrido, vimos no DXCluster os dois spots abaixo:

PT7GRONGA- 21024.0 7O6T Muitos QSO Gronga, que beleza! 0043 01 May Yemen
GRONGA-@   21024.0 7O6T Muitos QSO Gronga, que graça   0040 01 May Yemen

GRONGA seria a maléfica e imoral prática de trabalhar uma figurinha DX em nome de outra estação, no intuito de “ajudar” o colega. Além de imoral é uma prática que TODOS os DXistas sérios abominam, pois qual a lógica de deixar outra pessoa fazer um contato por você?!

Como eu acho que todos tem o direito de dar sua opinião, seja ela qual for (igual ou diferente da minha), desde que isso não seja feito de forma ANÔNIMA, resolvi procurar a origem do spot para que o autor dos spots saiba que usar o DXCluster de forma anônima não é tão seguro como ele pensa. Quem sabe, ao ler este artigo ele resolva se pronunciar publicamente informando seu nome e indicativo.

Deixando Rastros Digitais

Tudo que você faz em frente a um computador conectado à Internet deixa um “rastro digital”. Esse rastro é o seu IP, um número de identificação que seu provedor lhe fornece no momento que estabelece sua conexão. O provedor registra por 5 anos qual IP cada cliente usou e por qual período.

Portanto, ao visitar um site, enviar um email, conectar-se a um DXCluster você deixa registrado seu IP nos servidores por onde passou.

O primeiro passo foi descobrir o IP de origem dos spots. Pois bem, passei alguns dias enviando emails, pedindo ajuda aos administradores de DXCluster, explicando que o spot foi anônimo, e finalmente recebi de volta a resposta informando o IP de origem dos dois spots:

Hello Luc Moreira

I’m administrating www.dxsummit.fi and you can e-mail me if you have something to ask. I don’t know why the Report Abuse didn’t worked for you sorry about that. 
The spots are sent from IP: 177.106.231.204 , spots are removed and the sending callsigns and IP are blocked.

Best regards.

Como podem ver, as mensagens dos spots foram removidas do servidor do dxsummit:

PT7GRONGA-     21024.0 7O6T         Message removed!      0043 01 May   Yemen
GRONGA-@       21024.0 7O6T         Message removed!      0040 01 May   Yemen

Com o IP de origem dos spots, passei a buscar onde este IP foi utilizado. A Internet oferece ferramentas que mostram inclusive a localização geográfica do usuário.

O resultado da pesquisa sobre o IP mostra a localização geográfica do servidor do provedor que forneceu o IP para o usuário:

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Como todos tem direito a sigilo de seus dados pessoais, até mesmo quem comete um crime, para chegar ao nome e endereço do autor dos spots teríamos que pedir autorização à Justiça, então o provedor seria obrigado a fornecer os dados do cliente. Como não estamos procurando um pedófilo ou um assassino em série, e achamos que foi somente um ato impensado de pré-julgamento por achar que havia apenas uma única pessoa fazendo todos os contatos por mim, Barreto e Fabiano, resolvemos parar por aqui.

O objetivo era apenas mostrar que se esconder por trás de um nome falso para dizer na Internet o que não tem coragem de dizer pessoalmente é arriscado. Você pode arranjar muitos problemas com a justiça brasileira, além de passar por uma baita vergonha entre seus pares.

Atenuador & Pré-Amplificador: Os Melhores Amigos dos DXistas

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A maioria dos transceptores oferece um pré-amplificador e/ou atenuador. Estes recursos estão no painel frontal do rádio e eles estão lá, bem na sua frente, por um bom motivo: devem ser usados constantemente durante sua operação. Você nunca os usou? humm… melhor continuar lendo para aprender como e porque usá-los vai melhor muito seus resultados em contest e no DX.

Sabe aquelas fórmulas cabeludas para explicar algo simples? Tipo essa aqui:

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Esqueça! Neste artigo não vamos usar nenhuma delas…

A fonte de referência para este artigo foi Gary Breed K9AY, que publicou uma matéria no National Contest Journal, edição Nov/Dez 2000 explicando como e porque usar o atenuador e pré-amplificador pode resultar em mais QSOs. Neste artigo, trazemos alguns conceitos e explicações usadas pelo Gary, mas apresentamos de uma forma ainda mais básica para que todos possam entender os conceitos por trás dos controles de ganho disponíveis no receptor.

Como tirar o máximo dos Atenuadores e Pré-amplificadores

Lamentavelmente, não são muitos radioamadores que fazem o melhor uso deste recursos disponíveis na maioria dos transceptores. Os atenuadores e pré-amplificadores estão lá porque os rádios não oferecem uma variação de ganho adequada para todas as situações de recepção encontradas nas bandas. O objetivo deste artigo é explicar porque estas funções que controlam o ganho do receptor são importantes e mostrar como podem ser usadas para alcançar o máximo desempenho que o seu rádio oferece.

Fator #1 – Dynamic Range

O dynamic range é fator mais importante para determinar o desempenho do receptor. Em qualquer avaliação técnica feita pela QST, o dynamic range é o aspecto mais rigorosamente analisado no laboratório da ARRL.

Não vou entrar em detalhes técnicos para definir o que é o dynamic range, mas é importante que você entenda que ele representa a capacidade do receptor de tratar sinais desde níveis fracos iguais ao ruído gerado internamente pelos seus próprios componentes eletrônicos até sinais com níveis tão fortes que causam distorções ou intermodulações na saída de áudio.

Apenas para simplificar e ilustrar melhor o papel do dynamic range, imagine que seu receptor tem um dynamic range ótimo de 90dB, começando com sinais de entrada da ordem de –130dBm. A figura 1 mostra a região do dynamic range na qual um típico transceptor HF de desempenho médio, oferecido atualmente pelo mercado, terá a recepção livre de intermodulação/distorção. Um receptor Top de linha oferece um dynamic range por volta de 140dB, portanto pode receber sinais com variações maiores sem distorcer ou gerar intermodulação no áudio de saída.

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Figura 1) Variação do dynamic range em situações comuns em HF.

O nosso objetivo é controlar a intensidade dos sinais que entram no receptor usando o pré-amplificador e/ou atenuador, de forma que mantenha o receptor sempre trabalhando dentro da variação ótima oferecida pelo dynamic range. Para isso, nós precisamos conhecer a variação de intensidade de sinal esperada nas diversas situações em HF. A figura 1 mostra algumas destas situações mais comuns. Por exemplo, o nível de ruído nas bandas altas são menores que nas bandas baixas.

Vamos começar nas situações encontradas nas bandas altas (acima de 20 metros). Nas bandas altas, o ruído atmosférico é cerca de 30dB mais baixo que em 160 metros. Especialmente em 15 e 10 metros, o ruído de fundo pode ser até menor que o início do dynamic range do receptor. Nestas frequências, nós precisamos adicionar ganho (usando o pré-amplificador) para escutar sinais que estão acima do ruído de fundo da banda, mas ainda estão abaixo da faixa de sensibilidade ótima do rádio (ou seja, do dynamic range). Muitos rádios oferecem 10dB de ganho ao acionar o pré-amplificador, outros oferecem até mais. Se o pré do rádio não for suficiente, pode-se usar um pré-amplificador externo para elevar o nível dos sinais de entrada até chegar ao dynamic range do receptor. Um pré externo pode ser fundamental em estações instaladas em locais remotos com níveis de ruídos excepcionalmente baixos.

Por outro lado, quando as bandas altas estão muito abertas, os níveis de sinais podem ser muito fortes! Se continuarmos com muita pré-amplificação na entrada do receptor quando estes sinais estiverem presentes, nós vamos exceder o limite superior do dynamic range considerado ótimo e vamos gerar intermodulações e distorções que vão atrapalhar a recepção de qualquer sinal na banda.

O desafio é ficar de olho na variação geral dos sinais presentes na banda. Nós temos o impulso de adicionar ganho ao receptor quando vamos ouvir sinais fracos, mas desligar o pré-amplificador (ou mesmo adicionar alguma atenuação ligando o atenuador) evita que nosso receptor seja inundado por intermodulações geradas pelos outros sinais fortes presentes na banda. Em outras palavras, os controles de ganho (atenuador/pré-amplificador) não podem ser “ajustados e esquecidos” nas bandas altas, pois a todo momento as condições de recepção podem mudar, necessitando adicionar ou remover ganho do receptor para obter sua máxima performance.

As bandas baixas exigem atenção especial ao atenuador. A banda de 40 metros é um caso a parte, pois ela pode estar muito silenciosa ou muito ruidosa de um dia para o outro. Além disso, nesta banda estão presentes estações internacionais que transmitem com potências na ordem de megawatts. Assim como nas outras bandas baixas, em 40 metros você nunca vai precisar adicionar ganho (a menos que você esteja usando uma antena de recepção desenhada propositadamente para ser ineficiente, um caso que não se aplica a 99% das estações de radioamador).

Em todas as bandas baixas, a questão é: “Quanta atenuação eu preciso?”.

Da mesma forma que explicamos em relação às bandas altas, nós precisamos considerar a variação dos sinais presentes na banda para inserir apenas a atenuação necessária para eliminar as intermodulações e distorções causadas pelos sinais acima do limite máximo do dynamic range. Entretanto, em 40 metros, a presença das estações broadcasting pode força-lo a inserir tanta atenuação que os sinais fracos seriam perdidos, mas eles seriam pedidos dentro das intermodulações de qualquer forma! Então, as vezes você tem que aceitar alguma intermodulação para ouvir sinais fracos em 40 metros.

Fator #2 – Comportamento do AGC

As bandas de 80 e 160 metros possuem um importante componente formado pelo ruído atmosférico. O ruído de larga escala e naturalmente aleatório é um inimigo ardiloso.

Quando nosso problema é apenas a presença de sinais fortes na banda, nós podemos conviver com algum nível de intermodulação. Mas a intermodulação produzida pela mistura de ruído atmosférico e sinais fortes gera – adivinhe o quê? – mais ruído!

Para combater este tipo de ruído, nós precisamos controlar não somente com a intensidade dos sinais, mas temos que considerar também o comportamento do AGC do nosso receptor.

Usarei uma analogia para explicar o que é e como funciona o AGC. AGC – Automatic Gain Control (Controle Automático de Ganho) – é parecido como o câmbio automático nos carros. Um sistema controla as mudanças de marchas, reduzindo ou aumentando a força do motor automaticamente de acordo com a necessidade do momento.

Da mesma forma, o AGC é um circuito que controla o ganho do receptor, protegendo parte do receptor contra sinais muito fortes. A função do AGC é oferecer uma escuta confortável, não é sua função manter os sinais dentro da zona livre de intermodulação do dynamic range. Quem deve fazer isso é você usando os controles de ganho (ATT & PRÉ).

Quando o AGC está operando, ele reduz o ganho global do nosso receptor, usualmente nos estágio de F.I. (Frequência Intermediária). Nos receptores mais modernos o AGC também atua sobre o front-end dos estágios de RF.

Os métodos usados pelo AGC quase sempre reduzem o dynamic range útil do receptor. Se o nível de ruído é cerca de “S-9”, metade do dynamic range do seu receptor já não está mais disponível. Se nós atenuarmos a entrada do sinal de forma que ele quase não ative o AGC, então teremos quase todo o dynamic range disponível para lidar com os sinais.

Há outro problema em relação ao efeito do ruído sobre o AGC. O AGC reduz o nível médio do sinal com seu período de recuperação relativamente longo, mas o detector do AGC tem um ataque bastante rápido em resposta aos picos de sinal. A presença de ruído atmosférico causa um comportamento desproporcional no AGC, pois o ruído tem picos muito elevados mas com energia média muito baixa. Como resultado, o ruído precisa de muito menos energia para ativar o AGC que os sinais das estações na banda. Quando o ruído é reduzido antes do AGC (por exemplo, usando o atenuador), a melhora da relação sinal/ruído é maior que a quantidade de atenuação.

Humm… ficou um pouco confuso, não foi? Vamos traduzir para o bom português!

Isso quer dizer que se você adicionar atenuação suficiente para limitar o nível de ruído para S-1 ou S-2, você ouvirá muito mais sinais que não eram audíveis anteriormente, pois o ruído estava mantendo o AGC alto desnecessariamente.

Melhor ainda, teste o que estou dizendo! Vá para as bandas de 80 ou 160 metros e use sua antena de transmissão. Agora, adicione 30dB ou mais de atenuação até deixar o medidor de sinais abaixo de S-2. Você vai descobrir que sua antena está funcionando muito melhor que você esperava.

Resumo

Ter sucesso nas competições e na caça de estações DX em HF nos exige tirar o máximo da nossa estação. Nada é mais importante do que obter o máximo desempenho do nosso receptor, afinal não é possível trabalhar uma estação que não foi ouvida! Nem mesmo o melhor e mais caro transceptor oferecido atualmente no mercado não tem um dynamic range capaz de lidar com todas as situações de ruído e níveis de sinais que nós encontramos entre 1,8 e 30 MHz. Portanto, nós temos que aprender a controlar o nível dos sinais que entram no receptor usando os recursos de atenuação e de pré-amplificação para manter os sinais dentro do dynamic range do seu receptor para obtermos o máximo desempenho disponível. Espero que, ao aprender como e porque usar os controles de ganho, você faça mais contatos DX e nas competições.

Passando para o LADO NEGRO da Força

E73MO radioamador Danny, E73M, frustrado por não conseguir mais competir de forma justa com os demais competidores da sua categoria (SOAB HP), decidiu mudar para o LADO NEGRO da força e contou toda a história para a comunidade contesteira sobre como e porque fez isso. Abaixo, uma tradução livre de seu texto:


Passando para o LADO NEGRO por Danny, E73M

“Eu passei para o lado negro, a Força ainda está comigo?

Eu tive conversando com alguns amigos sobre Contest e os recentes meios de ganhar os mais populares contests como o CQWW DX.

Bem, foi um choque. Alguns dos contesteiros acham que não há muito o quê fazer, a não ser obedecer as regras já que não é possível estabelecer um ambiente justo para todos. Uma infindável história sobre como o cluster, skimmer etc… que estão dominando o jogo é apenas uma das causas que estão arruinando as competições atualmente.

O que eu gostaria de expressar neste artigo é, em parte, minha frustração com muitas irregularidades em obedecer as regras, checagem dos logs, excesso de potência, consultas rápidas ao cluster e declarar-se não-assistido (muito dizem: “bem, todo mundo faz isso”).

Mas também este é meu protesto sobre a forma de me juntar ao “lado negro” em sua jornada para a fama.

Portanto, EU TRAPACIEI!

Tudo começou no ano passado, durante o 2010 CQWW DX Fonia quando meu amplificador Alpha 8100 teve uma válvula queimada e eu tive que consertá-lo 6 horas antes do contest. Eu mudei minha categoria para a categoria SOAB HP Assistido depois de 2007, quando fui derrotado pelo número de MULTs, eu entendi que muitos dos meus competidores estavam trapaceando de um jeito ou de outro. Então eu decidi tentar apenas Single Band 20m Assistido, com um Emtron DX2.

No meio do contest, uma estação italiana muito forte, IR8R (Op. IK8HCG) veio para minha frequência e tentou roubá-la. Para minha surpresa, eu o ouvia muito bem, mas ele parecia nem notar que eu estava lá, e eu bati novamente com a cabeça na parede e descobri que meus 1500Watts e stack de 4 elementos sobre 4 elementos no topo da montanha não eram suficientes para manter minha frequência de CQ, mesmo em 14320kHz.

Eu fui para a Internet e procurei por IR8R e pronto! Aqui está o vídeo no YouTube do IK8HCG se gabando com seu OM3500 e 3kWatts de saída:

Bem, esse vídeo não é tão raro, pois você pode facilmente encontrar fotos de conhecidos membros do comitê usando muito mais que isso.

Emtron DX4s (5kW+) são encontrados no shack de ES5TV e OM3500 são vendidos às centenas. LV6 russos modificados (com GU78, 4kW ou mais) são comuns no Leste Europeu, bem como alguns amplificadores comerciais que excedem 10kW. A tendência atual é sair com vários amplificadores em várias antenas para ter um sinal mais forte na banda e permanecer lá por mais tempo. Eu ainda tenho problemas para explicar como se consegue bons scores na categoria M/S com apenas 1500W de saída.

Veja o resultado dos últimos anos no CQWW DX SSB Contest.

Algo me abateu e eu perdi o desejo (força) para continuar a competir. O resto do contest eu estava pensando no que me daria satisfação e apenas uma única coisa me ocorreu: eu vou trapacear. Você pode perguntar por que eu faria isso.

Aqui está o porquê.

Eu decidi testar o processo de checagem dos logs e os caras por trás do nome “Contest Committee”. Eu enviei o log como não-assistido e Low Power. Eu fique pensando, eles precisam ser cegos para não enxergar os 2.800 QSOs e 140 DXCC trabalhados como LP20m Não-Assistido na zona 15. Eu estava completamente enganado.

O CQWW recentemente aumentou sua área de influencia ao indicar o membro do Leste Europeu, YU1EW para manter um registro dos contesteiros do Balcãs, que então começou uma lista no yahoo chamada “59915” para discutir problemas etc. (eu entrei na lista brevemente e saí).

Há algum tempo eu recebi um email de Zoran, YU1EW pedindo para eu me declarar como Assistido ou não. Prontamente respondi que eu estava de fato assistido e até incluí alguns spots feitos por mim durante o contest. Eu fiquei satisfeito por eles terem pego isso facilmente.

Depois disso, eu não recebi nenhum outro email questionando nada, nem mesmo minha potência.

Então é isso, eu passei, sem ser desclassificado, como Low Power, mas Assistido, o que me levou a conclusão que como eu sou um trapaceiro estreante eu devo melhorar minha tática operacional, não pulando imediatamente assim que o spot aparece e nunca anunciar outras estações.

Se eu permanecer no “LADO NEGRO” eu posso até conseguir alguns recordes Europeus como conseguiu o desclassificado do ano passado E79D que vem repetidamente trapaceando na potência, cluster e até com a troca de operador. Levou alguns anos para o comitê descobrir que esse cara estava trapaceando tão evidentemente.

Neste ano, eu estarei novamente SOAB Assistido, mas vou pensar sobre a potência. Se estas centenas de operadores estão passando sem punição com seus 1500W e mesmo com o dobro ou triplo disso, terei apenas a escolha de rebaixar minhas metas e fazer Low Power “novamente”. Brincadeirinha…

Minhas desculpas a W5GN por ter me enviado um certificado. Eu vou me redimir patrocinando um placa para algum Single Band LP Assisted na Europa.

Que a Força esteja com você, mas, pelo menos a mantenha em 1500Watt, e você me fará feliz.

73 Danny Horvat, E73M

Original: http://www.e73m.com/I_have_cheated.php

Como trabalhar 200 DXCC com uma vara de pesca

Como trabalhar 200 Entidades DXCC com uma vara de pesca na varanda? Mais uma vez o nosso colega  português  Rodrigo Nunes (CT1FOQ) respondeu a essa questão.

O DXCC de número 200 foi trabalho terça-feira, 22 de Março de 2011, perto das 15H29 UTC sendo que o "felizardo" foi nem mais nem menos que, VK9CF (Cocos Keeling Is.) em 18.132kHz.

A antena não tem nenhum segredo, pois é constituída por uma simples vara de pesca em fibra de vidro de 7m – importante frisar, convêm ser em fibra de vidro, pois não é condutora electricamente, como é a a fibra de carbono. Nesta vara se encontram enrolados 10 metros de fio eléctrico encapado de 1,5mm multifilar, conectados a um Unum (há quem lhe chame Balun magnético) de relação 1:9, conforme foto abaixo:

Unum (Balum) 9:1

O plano de terra artificial é feito com 6 condutores ligados ao sintonizador de antena automático (Antenna Tuner) e cada um dos condutores tem comprimento de 1/4 de onda.

Basicamente,  os elementos do plano terra são calculados para o centro das principais bandas de amador a usar, por exemplo:

1º – condutor para 10m cortado com 2,5m;
2º – condutor para os 15m cortado com 3,75m;
3º – condutor para os 17m cortado com 4m;
4º- condutor para 20m cortado com 5m;
E assim por diante.

O ultimo condutor fica com aproximadamente 10m (1/4 de onda para 40m) espalhados pela varanda. Juntam-se todos os condutores de um lado e liga-se à massa do "antena tuner". Tudo isto, o que não é pouco, desde um 10º andar da Urbanização do Loreto em Coimbra , Portugal .

O restante da estação tem a seguinte composição:

– Transceptor: Yaesu FT-897;
– Acoplador: LDG AT-200 Pro Automatic Antenna Tuner;
– Potencia RF: na maioria das vezes inferior a 100W.

Invoco aqui o poeta Fernando Pessoa,  que soube como ninguém, na minha opinião,  exprimir a mais profunda admiração pelo QUERER deste simples e quase desconhecido Radioamador Português, por tudo aquilo que já alcançou e certamente continuará a alcançar.

"Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali? " Fernando Pessoa

Visão geral da antena montada na varanda:

Antena Antena Antena

WorldRadio Online: Edição Abril 2011

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A edição de Abril de 2011 da revista online WorldRadio – distribuída gratuitamente pela internet – trás vários artigos interessantes sobre satélites, CW, recrutamento para o nosso hobby, DXismo e Contest.

Vale a pena baixar e ler de capa-a-capa!


WordRadio - Edição Abril 2011 (21,3 MiB, 121 hits)  WordRadio - Edição Abril 2011


“Emoção” faz o Radioamador diferente da Internet

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“De certo modo, não faz muito sentido o radioamadorismo continuar prosperando na era do Twitter, Facebook e iPhones”, é assim que a WIRED Magazine, uma das mais maiores publicações sobre tecnologia do mundo, abre o artigo especial “Why ham radio endures in a world of tweets” [Porque o rádio persiste em um mundo de twitters].

O artigo é muito bem escrito e perspicaz. Ele aborda de uma maneira leve os principais aspectos do nosso hobby em comparação com as modernas formas de comunicação a disposição na Internet e como estamos sobrevivendo a modernidade após um século.

Um trecho deixa claro o que realmente nos diferencia das demais formas de comunicação modernas:

“Para começar, há uma emoção mágica ao estabelecer uma conversa pelo rádio entre duas pessoas distantes que nenhuma comunicação via Internet mercantilizada pode competir”.

O texto discorre sobre nossas gírias – especialmente nosso 73, nossa tradição em trocar de cartões QSL, como obter a licença e enfatiza nosso papel durante tragédias recentes como o 11 de setembro e o terremoto no Chile e Haiti.

Já no final, o autor escreve:

“Mas não é simplesmente o romantismo de colecionar cartões que continua a inspirar os DXistas, sem o desejo de se comunicar livremente. Em vez disso, os radioamadores falam orgulhosos sobre pertencerem a uma “irmandade mundial”, com poucas regras e burocracia, e da habilidade de transcender idiomas, religião e raça – enquanto nunca sabem ao certo quem será o próximo contato”.

E finaliza assim:

“You can tweet all you like, but this is the way to communicate”
[Você pode twittar a vontade, mas esta é a maneira de se comunicar].

Mais Procurados em 2010

zs8mAnualmente a “The DX Magazine” publica os 100 países mais procurados pela comunidade DXista. O Top 10 é formado por locais com problemas políticos, restrições ambientais ou de dificílimo acesso. A pesquisa foi realizada entre setembro e outubro de 2010.

Para a infelicidade geral dos DXistas, P5 (Coréia do Norte) lidera a lista dos mais procurados há anos. Além de ser um dos países mais fechados no mundo, a Coréia do Norte ainda desafia a paz mundial com seu programa nuclear e ameaça atacar a Coréia no Sul a qualquer momento.

O Iêmen (7O), quarto lugar, é outro país que está no Top10 por instabilidade política. A insegurança é causa por vários ataques contra o governo iemenita, normalmente realizados por separatistas que reivindicam a autodeterminação do antigo Iêmen do Sul, que se uniu de novo ao Iêmen do Norte em 1990. Uma operação em 2000 foi aprovada para o DXCC. Em 2010, YT1AD e RA9USU foram de carro para o Yemen, cruzaram montanhas e estradas perigosas até chegar ao Ministério das Comunicações. Solicitaram autorização para operar, mas ouviram um educado “NÃO”. Há centenas de pedidos de licença na mesa do Ministro, mas todas as comunicações em HF foram suspensas por questões de segurança nacional.

Em Navassa (KP1), segundo lugar, o problema é político e ambiental. A Ilha Navassa permanece impenetrável porque o US Fish & Widlife Service (espécie de IBAMA dos Estados Unidos) classifica o local como “Refúgio Natural da Vida Selvagem” e não permite a entrada de visitantes. Apenas de alguns poucos pesquisadores tem acesso muito restrito à ilha. O mesmo time que operou Desecheo (KP5) em 2009, ainda está lutando para ir a KP1.

Em 2010, uma base de monitoramento climático e alerta de desastres foi construída. O projeto foi realizado com apoio de radioamadores e cidadãos Sul Africanos:

“Welcome to the S.A. Weather and Disaster Information Service. (SAWDIS) This service is made possible by amateur radio operators and private citizens around the country that volunteer the use of their weather and radio stations, weather and disaster photographs, data and information for educational and research purposes. The SAWDIS is a non-profit organization that renders a FREE COMMUNITY-BASED SERVICE to anyone requiring the information.”

Durante boa parte de 2010, Pierre ZS8M esteve na Ilha Marion e fez com que esta entidade caísse de 3o lugar em 2009 para 7o lugar em 2010. A estada do Pierre na ilha termina no dia 5 de maio, quando a equipe de pesquisadores retornam para Cidade do Cabo. A base é muito bem construída e deve receber outros radioamadores em breve (fotos)

Abaixo a Lista dos Mais Procurados em 2010!

# 2010 PREFIXo PAÍS # 2009
1 P5 NORTH KOREA 1
2 KP1 NAVASSA 2
3 3Y/B BOUVET 4
4 7O YEMEN 5
5 VKØ/H HEARD ISLAND 6
6 FT5Z AMSTERDAM 9
7 ZS8 MARION ISLAND 3
8 VP8/S SOUTH SANDWICH 10
9 FT5W CROZET 7
10 BS7 SCARBOROUGH 11
11 VP8/O SOUTH ORKNEY 12
12 HKØ/M MALPELO 14
13 VKØ/M MACQUARIE 15
14 SV/A MT ATHOS 13
15 FR/T TROMELIN 16
16 ZL9 AUCKLAND & CAMPBELL 17
17 KH5K KINGMAN REEF 18
18 PYØS ST PETER & ST PAUL 19
19 KH5 PALMYRA 20
20 FR/J/E JUAN DE NOVA 21
21 VP8/G SOUTH GEORGIA 26
22 KH9 WAKE 23
23 BV9P PRATAS 25
24 KH3 JOHNSTON 30
25 E3 ERITREA 27
26 KH1 BAKER & HOWLAND 33
27 CEØ/X SAN FELIX 32
28 T31 CENTRAL KIRIBATI 29
29 VU4 ANDAMAN 34
30 KH7K KURE 37
31 ZD9 TRISTAN DE CUNHA 36
32 1S SPRATLY 41
33 FT5X KERGUELEN 38
34 KH8/S SWAINS ISLAND 50
35 ZL8 KERMADEC ISLAND 28
36 XZ MYANMAR 39
37 JD1/M MINAMI TORISHIMA 40
38 S2 BANGLADESH 44
39 3Y/P PETER I 43
40 EP IRAN 46
41 3CØ ANNOBON 35
42 VU7 LAKSHADWEEP 55
43 FR/G GLORIOSO 8
44 XF4 REVILLA GIGEDO 66
45 C2 NAURU 49
46 4W TIMOR LESTE 60
47 3D2R ROTUMA 45
48 CY9 ST PAUL ISLAND 77
49 VK9/M MELLISH REEF 54
50 CYØ SABLE ISLAND 65
51 T33 BANABA 48
52 YVØ AVES ISLAND 52
53 PYØT TRINDADE 42
54 VP6 PITCAIRN 69
55 R1MV MALYJ VYSOTSKIJ 63
56 3D2C CONWAY REEF 24
57 3C EQUATORIAL GUINEA 57
58 FO/M MARQUESAS 53
59 H4Ø TEMOTU 62
60 T5 SOMALIA 56
61 1AØ SOV.MIL. ORDER-MALTA 73
62 FO/C CLIPPERTON 90
63 YA AFGHANISTAN 47
64 9N NEPAL 72
65 FK/C CHESTERFIELD 31
66 E5/N NORTH COOK 57
67 TI9 COCOS ISLAND 100
68 A5 BHUTAN 71
69 D6 COMOROS 80
70 FJ ST BARTHELEMY 78
71 XX9 MACAU 70
72 EZ TURKMENISTAN 74
73 JX JAN MAYEN 85
74 T3Ø WESTERN KIRIBATI 61
75 T2 TUVALU 87
76 VK9/C COCOS KEELING 75
77 ZK3 TOKELAU 58
78 T32 EASTERN KIRIBATI 91
79 TJ CAMEROON 96
80 YK SYRIA 84
81 CEØ/Z JUAN FERNANDEZ ISLAND 64
82 TT CHAD 89
83 VK9/X CHRISTMAS ISLAND 68
84 VP8/SS SOUTH SHETLAND 86
85 KH8 AMERICAN SAMOA
86 TN CONGO 79
87 FO/A AUSTRAL 59
88 KH4 MIDWAY 22
89 ZK2 NIUE
90 FW WALLIS & FUTUNA 82
91 WESTERN SAHARA
92 5V TOGO 92
93 AP PAKISTAN 76
94 HV VATICAN 95
95 VK9/L LORD HOWE
96 XW LAOS 99
97 3W/XV VIETNAM 83
98 9U BURUNDI 98
99 3A MONACO
100 KP5 DESECHEO

É a Nossa Vez

Esta semana o boletim “The ARRL Contest Update”, publicado pela ARRL, trouxe um artigo especial entitulado: “É a Nossa Vez “. O autor, traça um paralelo interessante sobre os desafios futuros do povo Norte Americano e do radioamadorismo.

{xtypo_quote}O radioamadorismo é maior do que qualquer um de nós poderia ser sozinho{/xtypo_quote}

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Mexeram no Nosso Queijo

Diante do recente (mas não novo) debate “CW: to be or not to be”, resgatei um texto de minha autoria, publicado em 2005 que, acredito, contribuiu um pouco neste debate. O texto tem alguma influência da época, como esquema valerioduto e de um livro que eu acabara de ler, e recomendo: “Quem Mexeu no Meu Queijo?”.
Mexeram no Nosso Queijo

mexeram-no-nosso-queijo.jpg

Publicado por PY8AZT em 2005 no Portal Uirapuru

Alguns ainda não se deram conta, mas mexaram no nosso queijo! A FCC – a Anatel dos Americanos – anunciou oficialmente o fim da exigência de proficiência em Código Morse para o Serviço de Radioamador. A eliminação do CW dos exames para radioamador provaca arrepios e calorosos debates. Qual é o foco desse debate?

Neste texto, vamos avaliar, não todos, mas alguns pontos importantes tratados pela nova proposta; em particular a questão do Código Morse, ou CW.

Mudanças sempre envolvem perdas. É preciso encarar com profissionalismo estas mudancas para avaliá-las com inseção. Manter ou eliminar o CW nos exames de ingresso ou promoção de classe no radioamadorismo implica em pontos fundamentais para a sobrevivência do radioamadorismo brasileiro. Afinal, onde vamos encontrar mais queijo?

O “bom e velho” queijo

Tinhamos queijo à vontade, e poucos se preocupavam com isso. Quando o radioamadorismo nasceu o mundo era bem diferente. Os primeiros radioamadores eram os próprios telegrafistas que conversavam entre si nas horas de folga. A finalidade era tão somente comunicação. Da mesma forma que  hoje o celular é tão popular, o radioamadorismo era um fantástico e atraente mistério há 100 anos.

Com o advento da fonia (AM, e pouco depois o SSB), o CW passou a ser usado como “filtro ativo” para o ingresso no radioamadorismo. O filtro ativo funcionou enquanto o radioamadorismo reinava absoluto como o único meio de comunicação global não-comercial disponível. E isso nos deu uma arrogância cega, que beirava a loucura! O CW é apenas isso: um pífio “filtro ativo” para ingresso no radioamadorismo. Um filtro que elimina apenas um tipo específico de candidado a radioamador.

Pare ser um radioamador (pelo menos acima da classe D) Os candidatos devem compulsoriamente aprender CW. Alguns vão descobrir um novo mundo à sua frente ao aprender O Código, e se tornarão cedablistas. Destes, uma pequena fração vai realmente se dedicar e chegar a 40-50ppm e surgirão como grandes DXpedicionários e/ou contesteiros. Por outro lado, a grande maioria vai parar abaixo das 20ppm. Para estes o CW será uma arte, um prazer, uma dádiva que usarão para conversar com amigos, fazer DX, e eventualmente entrar em contest. Com raras exceções, estes serão os ferrenhos defensores do CW. Estes passam pelo filtro sem problema.

Um cenário muito diferente acontece com os que foram forçados a aprender CW, apenas para ingresso no radioamadorismo ou promoção de classe. Seja para usar o PathPhone, falar com a fazenda, ou mesmo comunicar-se com o mundo, muitos tinham motivação tamanha pelo radioamadorismo que se dedicavam a aprender algo inútil (para eles) apenas para ingressar ou promover-se no radioamadorismo. Estes nunca se sentiriam motivados a continuar a usar o CW. Eles encontraram outras coisas para se dedicar no rádio, como fonia (a maioria vai ligar o rádio uma vez por dia para falar a mesma coisa em uma rodada qualquer sem sentido); uma pequena minoria partirá para o DXismo, contest, e modos digitais. Idem, com raras exceções, estes farão coro contra o CW nos exames. Eles terão dificuldade em transpassar pelo filtro, uma vez passado, o CW perde todo o sentido para eles.

Como diria o rapaz que se jogou do 15º andar, ao passar pelo 3º: “Até aqui, tudo bem”. Ainda existe uma imensa maioria que o CW como filtro ativo funcionou por mais de 100 anos. Aqueles que querem ser radioamadores, mas não se sentem motivados o suficiente para aprender o CW. Eles nunca vão passar legalmente pelo filtro. Eles brigarão fortemente pelo momento em que o CW for eliminado dos exames. Porém, enquanto esse momento nao chega, há notícias de fraudes, um tipo de indicativoduto promovido pelo jeitinho brasileiro de ser (se não pode vencê-lo, compre-o)., tornando inócuo o CW como filtro Ativo.

Um novo queixo

Alguns ainda não se deram conta, mas mexeram no nosso queijo! Pior, continuarão mexendo nele, com ou sem CW! Isso quer dizer que o mundo está girando, mudando, movendo-se. Quem não se mexer agora vai ficar para trás. O radioamadorismo brasileiro precisa rapidamente sair na inércia (bata no peito e diga: meia culpa) para entrar na ciranda mundial.

A maioria dos paises tradicionais no radioamadorismo já está se movendo. Muitos já fizeram a reforma necessária (de fato, eliminaram o CW ou baixaram a velocidade nos exames). E quanto ao Brasil? Vamos esperar o mundo dar uma paradinha, para subirmos no carrocel, ou vamos avante agora? O CW será eliminado em todos os paises, pode contar com isso. Se não for em 2005, será em 2010.

Mas apareceu um novo queijo! Outros meios de comunicação se pouplarizaram ou surgiram sem que nossa arrogância nos permitisse ver: telefones, celulares, etc… Mas nada comparado a Internet. Foi o fim do reinado do radioamadorismo como de comunicação global não-comercial.

Então, vamos continuar usando o CW como reserva de mercado do radioamadorismo? Será que vale a pena manter o CW, mesmo enquanto há claras indicações que estamos na contra-mão no mundo?

Qual o Caminho Seguro?

Existe um caminho seguro para essa questão? Não há respostas que mate a fome da incerteza, mas alguns caminhos podem ser trilhados.

Flexibilidade no regulamento. Tratar cada tipo de cliente (candidato a radioamador) de forma diferente. Ora, os family radio, tipo TalkAbout é exatamente isso. Muitos pseudo-radioamadores entravam pela porta larga da Classe D, para usar o VHF como alternativa ao celular. O family radio, livre de licença, surgiu como resposta ao mercado. Há quem não tem interesse em HF, há quem queira operar apenas modo digital. O exame deveria ser formado por pacotes de conteúdo. Alguns pacotes obrigatórios, outros eletivos. Como, nos vestibulares o candidato poderia escolher os pacotes de conteúdo afins ao seu interesse.

Treinamento contínuo. Atualmente, o operador depois de fazer o exame, simplesmente recebe o salvo-conduto para parar de aprender. Alguns insistem em praticar o “aperfeiçoamento técnico- operacional pessoal”, como está na Norma vigente, no entanto a grande maioria simplesmente esquece a finalidade mor do radioamadorismo. É necessária a existência de um programa de treinamento contínuo. Por exemplo, a RENER poderia ser a primeira iniciativa de um curso de Assistência Emergencial para Radioamadores. O curso envolveria Radioamadores, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Defesa Civil para seguir um protocolo único em situações de emergência.

Renovação e Motivação. Um programa nacional de recrutamento. Cada Estado poderia contar com um núcleo de radioamadores treinados e com material padronizado para recrutar pessoas em eventos públicos, feiras e escolas em todo o Brasil. Motivando os novatos nas diversas modalidades do nosso hobby.

Fortalecimento das Instituições. Não foi por acaso que deixei esse ponto por ultimo, talvez o mais polêmico. Nenhum dos caminhos acima será possível sem o fortalecimento das instituições de apoio ao Radioamadorismo. Vez por outra, aparece uma taxa extra no Fistel, já cobraram pelo uso do espéctro, de Satélites, que na prática foi apenas uma mordida bem dada no nosso bolso! Sou fortemente a favor de criar uma taxa junto ao pagamento do Fistel, para constituição de um fundo de apoio ao Radioamadorismo. Este fundo apoiaria projetos de desenvolvimento, capacitação e recrutamento de operadores do Serviço de Radioamador através de concorrência pública por Edital. Assim, TODOS pagariam pelo fortalecimento da Labre e Clubes e Associações (juridicamente registradas).

Ainda não sabemos onde está o novo Queijo, mas ficar parado lamentando é a pior opção. É preciso caminhar logo, com ou sem o CW. Não vamos manter o foco  apenas na discussão sobre a nova Norma do Serviço de Radioamador, mas sim no que realmente pode fazer a diferença para o futuro, e não para o passado.